E o que me fascina é o veneno, a doença das palavras. É a desmaterialização do invicto!

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

palácios [aos de pedra, de carne e os imaginários]. todos são temporários! hora ou outra tornam-se bibliotecas, museus, galerias... sempre destinadas a conservar o passado, como memória ígnea e sobretudo, imperiosa reinante dominante!

ain soph aur

nervos borbulhantes sob a pele e o sangue corre, corre, corre rápido, mais rápido que a luz, dentro das veias. e toda aquela desgraça convivendo junto com a graça que eu fazia para que você não visse o caos, e também não visse as olheiras e pensasse que eu não estava dormindo, que não sentisse o hálito de bebida e achasse que eu estava bebendo todo dia, porque eu estava, todo dia um ótimo motivo. que não visse as unhas, roídas e pensasse que eu estava ansioso, e que não percebesse meus lábios, mordidos para me punir. bem, não queria que percebesse que eu era eu, mas eu era. e não podia mais negar. a procurar uma ideia, procurar letras e formar seu nome, que eu nem sei qual é, porque eu não sei quem é você. procurar um caminho, que não seja bonito, porque esses são os menos humanos, mas que me leve a algum lugar diferente desse que estou. porque é chegada a hora de perguntar, como por um pé a frente do outro e manter ereta a coluna vertebral? procurar um caminho que me transforme que deus, que homem, que diabo. mas me transforme transforme transforme transforme transforme transforme transforme transforme transforme, porque eu já cansei de procurar um caminho que não acaba e não chega nunca, mas que com certeza já cruzou com o seu, porque a essa altura eu já estou desintegrado e sou o ar, o cachorro, a vizinha, o amigo o irmão eu sou a luz, eu sou a música a poesia eu sou o cego, o que vê, o apaixonado o miserável. eu sou eu, sou você, sou o criador.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Objecto

Encarcerado! Nada novo! Talvez um sentimento bom, talvez um não! Você faz todo o necessário! Sente, tenta sentir, deixa de sentir e vê que isso é como mais um objeto que vai se desintegrar. Não só o objeto mas como quem o segura também. Sem querer trocas, sem querer objetivos, porque por si só o sentir se coroa, se entrona como um transcender, um elevar! Aprisionados dentro de seus próprios corpos, sentir é superficial, não há conexão, vibração, pulsão... Encarcerados, miseráveis, cada dia mais! Buscando e buscando em vão, conseguir se libertar, mas, encarcerados cada vez mais! 


Não é mais necessário expressar em palavras o que vejo, o que sinto, o que penso e o que sei! Palavras são superficiais e como todo o resto, no ar, irão se desintegrar! 

domingo, 1 de junho de 2014

Veneno

E você desperta! O gelo começa a derreter, você sente menos medo e mais calor! Você sente a outra mão na sua! Aperta! Aí, como o clarão de um raio, uma ventania, carregada com nevascas, vem! Tudo ao redor congela-se, de repente cristal, de repente vidro, de repente rocha! Mas as bebidas continuam a ser servidas! Você bebe e todo os outros querem provar! O vinho é pouco mas o veneno escorre em jorros!

terça-feira, 8 de abril de 2014

sangue e enxofre

   se não fosse humano seria materia escura, que paira vagando nos confins do universo, integrando toda a grandeza séquita que se constituí o absoluto! 
   e se não fosse humano seria dor, pesar e loucura. amantes inseparáveis do
caos, que reina, que pulsa organicamente nas veias cansadas, já calejadas de tanto fazer correr seu rio! 
    se não fosse humano seria fumaça. densa e poluída com seus incontáveis tons de cinza, grafite e chumbo, que rasga os céus de milhões de mentes que procuram ou já cansaram de procurar-se!
   se não fosse humano seria fogo, queimando e transformando tudo em luz e cinza, destruindo carne, osso e ferro, até que nada mais restasse, além de uma insustentável leveza, que sempre foi e sempre será! 

sábado, 15 de fevereiro de 2014

O Diabo, O Mago e O Mundo

Senhores,

o mundo em que vivem é uma mentira! Não tentem faze-lo parecer realidade, isso é perda de tempo e frustração futura! As pessoas, elas estão ocupadas demais guiando cegamente o seu futuro e garantindo a sua sobrevivência, no mar de selvageria que se tornou a civilização! Todo ato bom que se pratica, agora é no intuito de ser recompensado e somente visando a sua imagem! O homem teme não conseguir satisfazer-se no mundo de hoje, cria suas expectativas rasas e tem medo de mergulhar, realmente, de cabeça!

Entender e acolher necessidades alheias é tido como sacrificar-se em martírio à nada! Ajudar outro ser humano, que de nada se difere desse que escreve e de outros, é vergonhoso e julgar é mais importante que racionalizar e humanizar!

O progresso pelo progresso se justifica e progridem as máquinas! Mas máquinas mentais que conduzem seres que não vivem a realidade do hoje, que não vivem suas necessidades reais e sufocam-se, enganam-se! Assim é mais fácil, assim é mais rápido! Todas as necessidades, tornam-se, por excelência superficiais, carnais e subjetivamente por unidade buscam satisfazer-se o mais rápido e grosseiramente, para que não sejam frustradas ou contrariadas!

E o que resta, já disse García Márquez: "Para mim é suficiente ter a certeza que tu e eu existimos neste momento."



01h08-15/16.02.2014 Venta lá fora!

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

aeon

a era líquida! era de tempo líquido, era do pensar líquido, do racionalizar líquido... era da remoção, da comoção, da trituração! era de escárnio, era de passado, era dos enterrados! o que se constituí sólido é dor, terror, medo, horror e amor! uma fraca pulsão de vida que  permanece e te arranha com um estilhaço de vidro, raspando e aprofundando todas as feridas abertas e as que pensavam-se curadas! toda a dor que já sentiu não é comparativo para o que sente! afinal, como disse a cigana com pele de marfim e olhos da cor da terra "você verá que nada é como pensa, as pessoas não são plenamente felizes e verdadeiras, exibem o seu bom para mascarar o seu mau, julgam nos outros o que odeiam em si e serão eternamente crianças, buscando satisfazer-se! não lhes dê os brinquedos para que brinquem, também não seja a brincadeira delas!" - decodificam-se os seres e relacionamentos estabelecidos por eles, como garrafas de líquidos, ao acabarem-se os líquidos, existencialmente acabam-se as garrafas! 

domingo, 26 de janeiro de 2014

Orgânico

Lá fora uma lua gira num universo solto, intenso e ansiosamente duvidoso de si! As estrelas, nos seus diversos altares orgânicos, olham para a terra desdenhando seu brilho senil e fútil! 
E aqui nós; sentados numa massa de pedra e água, alienadamente satisfeitos de si próprios e esperando o espetáculo passar, deixando-o intacto por medo de quebrar ou frustrar-se e perder nosso trono de conforto e ilusão! 

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Naquele meio termo de ir e permanecer, testando a consistência das coisas e dos sentimentos. Procurando satisfatoriamente a resposta que você já sabe à tempos, no entanto afunda-se, procurando sua durabilidade e o limite que você acredita não existir. A vontade de poder escurecendo a visão concreta e real das coisas que existem, determinando quão satisfatórias serão e em qual grau de necessidade estão as coisas que desejamos! Tortas correntes!

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Curar-se

Vivo! Eis que surge uma nova direção, algo menos contemporâneo, mais sentimental, que se diga humano! Não, o mundo criado pelos seres, ainda não me atraí, não me convence e menos ainda me tem! Sabe o que você sente quando as coisas não vão bem, mas ainda assim você insiste em permanecer e carregar toda aquela carga? Carga essa que não é toda sua, que não precisa ser toda sua! É! Desse jeito as coisas começam a ir se acomodando, dando lugar a novas coisas sem nunca esquecer-se do passado, quase uma ironia! Como dizem, é lembrando o passado que não se revive no futuro! Ou você mesmo escolhe reviver e não liga pro passado? Afinal, feridas sempre serão abertas, sempre sangrarão e você, você lembra, sabe que esquecer não existe! Dores, amores... e quem é você? Para achar que é quem destina e dirige sua própria vida, você não vê?

O ser humano, demasiado desumano para sustentar seu titulo de racional, todos os dias tenta se convencer de sua magnitude, cria em sua cabeça complexos de poder e superioridade; acha que tudo pode, sem lembrar que sua liberdade se estende até começar a do outro! Com seus sonhos, desejosos de prazer e cegos pelo mundo, constroem suas vontades no anseio de que o desejo se realize e assim sacie-se! A lembrança que se leva da sua primeira experiencia de satisfação o acorrenta por toda a sua existência, seus desejos buscando recuperar a perda da experiencia, mais uma vez trazendo memórias à tona e conduzindo inconscientemente a vida!

Renunciar a seus instintos, parece ser a base sólida da inclusão na sociedade. Sociedade doente, com todas as suas conservas culturais e seus ritos mórbidos consagrados, buscando desesperadamente pelo pai, esse que à abandonou, disse um certo dia que iria até o bar da esquina comprar uma bebida ou outra coisa qualquer... E o ser força para parecer humano, veste-se bonito, passa suas tintas, dança até o amanhecer. Durante a sua estadia, transforma as noites da vida em pura festa. Até que o dia amanhece e a fantasia cai, retorna ao luto! É regra da vida, de viver, aprender quando já não há mais tempo de voltar atrás, coitado do ser! Disse Platão, que os bons são os que se contentam em sonhar com aquilo que os maus fazem na realidade!

Você pode não ler tudo isso e também não encontrar um propósito! Mas se puder (não são todos que conseguem), repense seus atos, enxergue e entenda em quem se transformou e em quem foi transformado, o que busca e pelo que vive! Freud dizia "qualquer coisa que encoraje os laços emocionais, tem que servir contra as guerras!" Mas afinal, você luta contra a guerra? (Guerra em todos os seus sentidos.) Ou é mais um desses inúteis sacos de sentimentos, que andam e desfilam seus trajes encantadores sobre a Terra? Quem é você frente ao desconhecido? Quem é você frente a morte? É sabido que o homem tem a todos como mortais, menos a si mesmo! Como conseguiria constituir-se sabendo que é certo morrer?

Catarse! E renasce, quantas vezes for necessário, mas algumas vezes trazendo algo de novo, talvez até bom, dependendo do organismo e da experiencia! Freud também disse, que "onde abundam as dores surgem os licores"! Será? O homem deve reconhecer seu sofrimento e enobrece-lo! Sofrer hoje, é acima de tudo um grito desesperado de vida!


A experiencia é para mim a autoridade suprema! -Carl Rogers