E o que me fascina é o veneno, a doença das palavras. É a desmaterialização do invicto!

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

ain soph aur

nervos borbulhantes sob a pele e o sangue corre, corre, corre rápido, mais rápido que a luz, dentro das veias. e toda aquela desgraça convivendo junto com a graça que eu fazia para que você não visse o caos, e também não visse as olheiras e pensasse que eu não estava dormindo, que não sentisse o hálito de bebida e achasse que eu estava bebendo todo dia, porque eu estava, todo dia um ótimo motivo. que não visse as unhas, roídas e pensasse que eu estava ansioso, e que não percebesse meus lábios, mordidos para me punir. bem, não queria que percebesse que eu era eu, mas eu era. e não podia mais negar. a procurar uma ideia, procurar letras e formar seu nome, que eu nem sei qual é, porque eu não sei quem é você. procurar um caminho, que não seja bonito, porque esses são os menos humanos, mas que me leve a algum lugar diferente desse que estou. porque é chegada a hora de perguntar, como por um pé a frente do outro e manter ereta a coluna vertebral? procurar um caminho que me transforme que deus, que homem, que diabo. mas me transforme transforme transforme transforme transforme transforme transforme transforme transforme, porque eu já cansei de procurar um caminho que não acaba e não chega nunca, mas que com certeza já cruzou com o seu, porque a essa altura eu já estou desintegrado e sou o ar, o cachorro, a vizinha, o amigo o irmão eu sou a luz, eu sou a música a poesia eu sou o cego, o que vê, o apaixonado o miserável. eu sou eu, sou você, sou o criador.

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