E o que me fascina é o veneno, a doença das palavras. É a desmaterialização do invicto!
quarta-feira, 24 de junho de 2015
Fluxo-fotossíntese
Dor. Sinal sinóptico, aviso cerebral de ruína corporal, aprendizado de nível difícil, teste de resistência, resiliência silenciosa, transcendência, marcas, sentimento! Olhos presos ainda aos meus. Seu suspiro dentro do meu pulmão. Entranhas que reviram dentro das minhas. Separado por um oceano [ipsis litteris] de memória, e outro de dor! Sentimentos ocultos, compartilhados sem nenhuma discrição, sem pudor! Corpo fresco - não mais pulsante - enterrado a sete palmos do chão! Ademais, a grosso modo, minha questão é com Deus, ser energético que esta em todo lugar e em todas as coisas, na chuva lá fora, na cadeira em que sento, nos meus pés gelados, no meu intestino e no que esta dentro dele também! Psychos Flutuante, orai por nós! Desgarradas crias suas e da Grande Rameira, abandonados numa sucursal bélica do limbo. Olhai por mim, preso nesse fluxo, preso nesse sentimento decepado pela Grande Ceifeira, preso nessa cadeira, escrevendo e lamentando as garrafas de ontem que eu freneticamente bebo para tentar anestesiar esse vazio agudo que bate em minha porta. O dedo sujo da Grande Energia, que me arranha e escalpela até que toda carne esteja exposta, meus anseios alegrias medos angustias vergonhas e aí sobrando só sombra e agonia me agarro ao Nada grande ser que estende a mão e permite que eu me recrie. Ideia, depois osso, depois músculo, depois mármore, depois carne e enfim eu preso nessa cadeira, escrevendo e lamentando as garrafas de ontem que eu freneticamente bebo para tentar anestesiar esse vazio agudo que bate em minha porta.
segunda-feira, 6 de abril de 2015
Carta ao Pai,
Pai (do latim patre; também chamado de genitor, progenitor,
ou ainda gerador) Pai, palavra de poucas letras e de peso gigantesco. Pai,
professor, amigo, irmão, segurança, salvador e Deus, criador de tudo, meu
criador! Da vida? Pouco sei. Mas a única certeza é a lei da impermanência. Nada
é permanente ao longo do tempo, e em algumas leituras desse conceito, nada é
permanente mesmo quando se retira o conceito de tempo. Somos poeira das
estrelas, somos fluxos energéticos e retornamos a esses estágios no fim do
nosso tempo. Como falar de você, Pai, se o que sinto quando lembro de ti é dor?
Dor de ter perdido o homem da minha vida! Penso em quantas conversas poderíamos
ter tido, quantas risadas poderiam ter iluminado nossos rostos, quantas brigas
poderiam acontecer ainda. Porque sim, eu sinto falta disso! Eu sinto falta de
tudo! Nada vai conseguir mudar o que aconteceu, mas eu daria tudo para te ver,
nem que fosse por segundos! Ver seu rosto, seus olhos, seu sorriso para mim!
Faz algum tempo, sim. Mas a dor não passa, não diminui! A dor cega, ela queima!
To escrevendo essa carta, pra te contar, que aqui as coisas vão bem! Nós temos
mais dois cachorros, a Brisa e o Nestor, sei que você iria a loucura se
estivesse aqui! E como eu gostaria de te ver louco! Me chamando pra te ajudar a
cortar a grama ou lavar o carro! Porque teve que ser assim? Tão breve tua
existência e tão cheia de significado! Lembra que você queria ir morar no
Alaska? Eu ainda vou lá, e você vai comigo, porque nós tínhamos que fazer isso
juntos! Tantas palavras sem dizer, tanta vida sem viver e você foi, tão rápido,
tão abruptamente! Um véu me separa de você, eu sei, mas ele não me permite te
tocar, te abraçar, te dar um beijo de boa noite! Eu tenho tanta coisa pra te
contar, pra te confidenciar, pra te perguntar. A Nona tá velhinha, mas uma
fortaleza como sempre! A Mãe, você sabe né, impossível, mas o melhor porto
seguro que existe! Mulheres maravilhosas! A saudade aqui é gritante, mas não
vou me estender muito mais! Vou deixar essa carta pro Senhor ler no meu
coração, na minha mente e na de quem mais ler. Eu amo você ontem, hoje, amanhã,
pelo resto dos meus dias e além! Um beijo do cabeção! Até o nosso reencontro!
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