E o que me fascina é o veneno, a doença das palavras. É a desmaterialização do invicto!

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Carta ao Pai,

Pai (do latim patre; também chamado de genitor, progenitor, ou ainda gerador) Pai, palavra de poucas letras e de peso gigantesco. Pai, professor, amigo, irmão, segurança, salvador e Deus, criador de tudo, meu criador! Da vida? Pouco sei. Mas a única certeza é a lei da impermanência. Nada é permanente ao longo do tempo, e em algumas leituras desse conceito, nada é permanente mesmo quando se retira o conceito de tempo. Somos poeira das estrelas, somos fluxos energéticos e retornamos a esses estágios no fim do nosso tempo. Como falar de você, Pai, se o que sinto quando lembro de ti é dor? Dor de ter perdido o homem da minha vida! Penso em quantas conversas poderíamos ter tido, quantas risadas poderiam ter iluminado nossos rostos, quantas brigas poderiam acontecer ainda. Porque sim, eu sinto falta disso! Eu sinto falta de tudo! Nada vai conseguir mudar o que aconteceu, mas eu daria tudo para te ver, nem que fosse por segundos! Ver seu rosto, seus olhos, seu sorriso para mim! Faz algum tempo, sim. Mas a dor não passa, não diminui! A dor cega, ela queima! To escrevendo essa carta, pra te contar, que aqui as coisas vão bem! Nós temos mais dois cachorros, a Brisa e o Nestor, sei que você iria a loucura se estivesse aqui! E como eu gostaria de te ver louco! Me chamando pra te ajudar a cortar a grama ou lavar o carro! Porque teve que ser assim? Tão breve tua existência e tão cheia de significado! Lembra que você queria ir morar no Alaska? Eu ainda vou lá, e você vai comigo, porque nós tínhamos que fazer isso juntos! Tantas palavras sem dizer, tanta vida sem viver e você foi, tão rápido, tão abruptamente! Um véu me separa de você, eu sei, mas ele não me permite te tocar, te abraçar, te dar um beijo de boa noite! Eu tenho tanta coisa pra te contar, pra te confidenciar, pra te perguntar. A Nona tá velhinha, mas uma fortaleza como sempre! A Mãe, você sabe né, impossível, mas o melhor porto seguro que existe! Mulheres maravilhosas! A saudade aqui é gritante, mas não vou me estender muito mais! Vou deixar essa carta pro Senhor ler no meu coração, na minha mente e na de quem mais ler. Eu amo você ontem, hoje, amanhã, pelo resto dos meus dias e além! Um beijo do cabeção! Até o nosso reencontro!

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